Apenas um Filho: A história de um louco e seu legado

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O seguinte é um, relato da vida do professor Valmir Silva do Projeto Social Apenas Um Filho, em São Paulo, do irmão Samambaia.

Eu Valmir Roberto da Silva, 35 anos, sou um pobre louco, que situa constantemente cheio de complexos no sentido social, não aceito as condições sociais que o Estado nos oferece e vê diversas formas de ajudar as pessoas e mudar a triste realidade de seu bairro

Infância conturbada: casa quebrada e ruas abertas

Fui um moleque que sofreu muito, sou filho de Dona Maria Conceição da Silva e José Carlos. Meu pai foi um grande criminoso na região na década de 80, minha mãe fugiu comigo na barriga aos 24 anos com medo que eu trilha se o mesmo caminho que ele.

Me criou com muito sofrimento, com o mesmo marido até meus 9 anos, um cara alcoólatra mas trabalhador.

Quando eu estava com 9 anos minha mãe veio a arrumar um novo relacionamento. Só que infelizmente eu vivi um dia só com a minha mãe nessa nova história, chegando em casa vi um caminhão de mudança, entrei e minha mãe já estava tirando tudo lá de dentro pra ir pra casa nova.

Valmir Roberto da Silva Apenas um filho
Valmir com a mão no ombro de seu amigo de infância tocando samba

A casa nova era um barraco de um cômodo, estava chovendo pra caramba no dia, dormi um dia só lá, aí o cara me disse que eu não podia ficar. Nisso minha mãe já estava grávida do meu irmão do meio e fui jogado na rua.

Morei na rua dos 9 anos aos 12, minha mãe foi fraca, não teve pulso de me manter ali com ela. Primeiro dia na rua foi muito punk, muito medo, foi muito triste, chorei muito nos primeiros dias, andando sem rumo.

A família da minha mãe não aceitava essa situação, meu avô era aquele cara mais duro, não tinha compreensão com minha mãe. Ai me sobrou a rua ! Às vezes comia comida do lixo, às vezes não comia.

Aprendi a ser muito ligeiro, no sentido de ser esperto, favelado já cresce com esse instinto de se virar, antes dos 10 anos eu já ‘tava’ acostumado com aquela situação, São Paulo tem muito louco.

Valmir Roberto da Silva
O pobre louco que vem fazendo a diferença e revolução no Capão Redondo

Solidariedade dos loucos

Mas são os loucos que dividem, o mendigo divide o que tem, cara, ele só tem um pão e divide com você, um cobertor e divide com você, uma galera que tem essa visão social que o próprio governo não tem.

Com 12 anos fui adotado, pela Dona Dalva, empresária aqui do bairro, morei com a minha madrinha um pouco antes da adoção mas era uma época complicada, minha madrinha tinha 10 crianças no quintal, eu era mais um, aí ela conversou com a Dona Dalva.

Minha Vida mudou, voltei a estudar e trabalhei com ela um bom tempo.

Dona Dalva

Quando tinha 16 anos o cara jogou minha mãe na rua, já com o segundo filho e vi minha mãe passando do outro lado pedindo as coisas, doações, com os meus irmãos do lado.

Pedi para Dona Dalva ajudar ela, suprir a necessidade, estar do lado dela, criar meus irmãos… e essa minha mãe adotiva falou que a melhor escolha que ela fez foi ter eu como filho, sabe? Ninguém faria isso, ninguém largaria tudo pra voltar a morar com a minha mãe, eu peguei e voltei morar com ela.

Minha adolescência já foi mais da hora, eu era independente, quando meu padrasto assumiu eu já ‘tava’ com 19 anos, morava sozinho, fui radialista e depois de muitas lutas, hoje minha vida é isso, é doada ao próximo.

Mãe e Vó de Valmir

Apenas um Filho: uma homenagem à vida

Hoje sou atleta, competidor há 7 anos, sou campeão brasileiro, tri campeão internacional. Hoje tenho um projeto social chamado Apenas um Filho, temos 160 alunos da região do Capão Redondo, onde não tem só o Jiu-Jitsu mas também alguns cursos, transformando a vida deles em atletas, temos uma turma só de mulheres, uma só de crianças, são tudo separado por turmas.

Projeto Apenas Um Filho

Isso tem sido uma revolução no bairro, tudo que eu passei essa foi uma forma que eu vi de ajudar o próximo, juntamente com alguns amigos periféricos que conseguiram se formar.

O projeto foi montado em homenagem ao meu irmão Luís Fernando da Silva que foi assassinado e é parte do meu sonho de transformar o Capão.

O jovem Luis Fernando, Injustamente morto de forma violenta

Ilusão Fatal: a triste realidade de milhões de jovens pobres, pretos e periféricos

Os constantes casos de violência no Brasil sempre foram uma preocupação, mas essas preocupações são rapidamente colocadas em segundo plano, à medida que meios de comunicação se concentra mais na política e nas pessoas.

A taxa crescente com que os jovens estão entrando no mundo do crime está se tornando cada vez mais terrível. Crimes como tráfico de drogas e furto e roubo estão na lista dos crimes mais cometidos por jovens de todas as idades, mas o maior índice de infratores está entre 17 e 18 anos. Essas crianças são as crianças que precisam de mais mentores como o professor Valmir em suas comunidades. Os projetos sociais desempenham um papel importante em incutir mentores na vida das crianças, que muitas vezes são influenciados pela negatividade de seu ambiente.

Em muitas famílias de baixa renda, muitas crianças são levadas a acreditar que, por terem poucas oportunidades de estudo e emprego, o crime se torna a melhor opção para o sustento da família, por isso a comunicação e a orientação familiar são cruciais para evitar erros pensamentos como este.

A atual legislação brasileira dispõe de medidas socioeducativas que já são colocadas em prática para reeducação desse jovens infratores. Ainda assim, nota-se a necessidade de melhoria.

De acordo com o pensamento do filósofo John Locke, educação é fundamental para a formação de alguém. Por isso, o papel projetos sociais como Apenas Um Filho é de extrema importância para acompanhamento do adolescentes.


Acompanhe o Professor Valmir Silva e Apenas Um Filho no Instagram.

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